Arlindo de Andrade Gomes nasceu em Timbaúba (PE), em 1884, num velho engenho de açúcar, onde passou a infância. No Recife fez a faculdade de Direito. Trabalhou no Diário De Pernambuco. Lia e estudava muito.
Concluído o curso, em 1907, viajou, no ano seguinte, para Cuiabá, onde se empregou na área de educação. Em 1909 era nomeado procurador fiscal da Delegacia do Tesouro Federal do Estado de Mato Grosso. Em 1910, tomava posse como juiz de direito da comarca de Nioaque. Em 1911 transferia-se para Campo Grande, para instalar a comarca, o que ocorreu em 12 de maio daquele ano.
Narra Paulo Coelho Machado que pessoas influentes da vila foram dar as boas –vindas ao novo juiz. Para surpresa do recém – chegado, cada visitante trazia à cinta dois revólveres e a cartucheira apinhada de balas. Desconcertado com a cena, fez sentir o juiz que estranhava tal exibição de armas, ainda mais numa visita à autoridade judiciária.
Respondeu-lhe o presidente da Câmara, Armando de Oliveira, que cheviava a comissão: “Doutor juiz, nós vimos a trazer a V. Ex.° a prova de que a justiça será defendida. Neste lugar conhecem-se os homens pelas armas que conduzem.
Em junho daquele ano, o chefe do destacamento policial mandou prender Armando de Oliveira. Arlindo de Andrade concede-lhe habeas corpus. O tenente, sentindo-se desrespeitado, manda prender o magistrado. A população revoltada, põe em fuga a polícia, que se retirou da cidade.
Paulo C. Machado conclui: Revoltado com o episódio, notando ausência completa de garantias ao exercício de sua nobre função, que desejava exercer com rigor e decência, decidiu o dr. Arlindo de Andrade demitir-se do cargo. Depois de ter exercido a magistratura por pouco mais de um mês e meio, entregou-se à advocacia, ao jornalismo e à política. Em 1913 começou a editar o Estado De Matogrosso (primeiro jornal de Campo Grande), que vendeu dois anos depois. Em 1918 casava-se com Julieta.
Em 1921, Arlindo assume a intendência de Campo Grande e realiza um trabalho importantíssimo para o progresso da cidade.
Valério Almeida afirma: Foi o dr. Arlindo sem sombra de dúvida, o passos desta terra, pois com ele desapareceram velhos pardieiros e surgiram as obras mais notáveis em prol do saneamento da cidade e quiçá do seu urbanismo,daí a fisionomia dos novos prédios bem como passeios e muros em todas as vias públicas.
E relaciona outras tantas obras e transformações transcendentais: nivelamento de todas as ruas; arborização das vias, embelezamento da Av. Afonso Pena; padrão para calçadas e passeios; implantação do horto municipal; locação e planta do bairro Amambaí; construção de pontes e estradas na cidade e no interior do município. E, por fim, a transferência da sede da Circunscrição Militar, de Corumbá para Campo Grande, cujos quartéis foram construídos em área doada pela prefeitura.
Entre tantas realizações, vale destacar que Arlindo foi, como afirmou Arnaldo Estevão de Figueiredo, o decorador da cidade. Realmente com sua paixão pelas plantas, foi ele quem arborizou as ruas das praças e jardins e também de seu arruamento. De sua própria chácara na Marechal Rondon, saíram, gratuitamente, mudas das árvores que hoje ornamentam nossa cidade, amainam os dias de verão, formando essa magnífica e deslumbrante arborização que tanto envaidece o campo – grandense .
Sempre atento aos movimentos políticos e sociais, Arlindo de Andrade sempre foi divisionista convicto e amante declarado de Campo Grande. Participo aqui de todos os grandes movimentos cívicos. Acompanhou, do lado dos tenentes, as revoluções de 22, 24 e 30. Esteve com paulistas em 1932 e foi mesmo secretário-geral do Governo Provisório do período revolucionário. Em 1930, por reclamar, ao governo provisório de Vargas, das arbitrariedades do inventos no Estado de Mato Grosso, foi preso, com seu inseparável amigo Eduardo do Olimpio Machado. Depois desses fatos, Arlindo dedica-se exclusivamente à advocacia. A perda do filho Silvio (médico falecido aos 37 anos) o abala muito. Se não bastasse , é pressionado a vender sua chácara, onde seria, mais tarde, construído o hospital dos ferroviários, como de fato foi, hoje desativado. Diante disso, Arlindo muda-se para Campinas e, doente, para São Paulo, onde veio a falecer em 1975, aos noventa e um anos de idade.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário